Copo metade vazio

A vida lhe parece mais um monte de dias seguidos cheios de esperança por dias felizes, por dias de amor, por dias de paz... por dias que valem a pena. E que nunca são o amanhã. Vê a espera de momentos que nunca chegam. Vê oportunidades que não consegue-se criar e a perda das que aparecem. Vê a impotência dos atos e o aumento dos desejos, tão inúteis por não fazerem nada sair do lugar. Nada lhe faz sentido. Nem "pense positivo", nem "atrai o que pensa", nem nada. Só pode lhe faltar merecimento. Só pode haver algo errado. Só pode não ser quem pensa que é. Está tudo errado e dizem que está tudo certo. Dizem que tudo tem sua hora. Dizem que tudo chega quando há preparação. Não sabe mais que horas são nem o que mudar. Como preparar? Essa infinita sequência de dias vazios, de dias em vão. Dias que se vão e nunca mais voltarão. O que seria de tudo sem o tempo? Se pudesse esquecer o tempo. Se pudesse esquecer os sentimentos. Se pudesse esquecer esse turbilhão. A vida lhe fere de tanta intensidade, como agulha afiada em pele macia, como uma luz tão brilhante que lhe cega. Luz que cega alternada com escuridão que não lhe deixa ver.

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