Uma mistura do que é e do que deve ser


Sabe, tenho pensado muito na vida. Em como eu quero viver. Em quem eu quero ser.

 Uma avalanche de transformações inundou meu ser a um tempo. Tirou meu chão. Me deprimi como nunca. Não tive vontade de me levantar e olhar meu reflexo na água. Aquela imagem não era eu, não gostava do que via.

 Muitas vezes a aparência muda com a mudança interior.

 E eu estava feia. Como se aquele inchaço todo fosse a tristeza que se materializou.

 E o mundo girando sem parar nas minhas incertezas só trazia o incerto. Como a onda do mar tudo ia e vinha em um piscar de olhos. O chão sumia mais e mais.

 E eu me sentindo cada vez mais feia. Não me reconhecia.

Foi então que meus amigos do outro lado não desistiram de mim. E com esse amor quis me levantar. Dessa vez a mudança veio de fora para dentro. É mais fácil mudar a matéria que a essência. Dessa vez tive que me achar bonita por fora para criar coragem para me conhecer de novo por dentro.

 Agora olho meu reflexo e vejo alguém familiar. Ainda preciso descobrir todas as mudanças. Todas as novas cicatrizes. Entender todos os novos desejos. Chegar perto novamente de montar o quebra cabeças que eu sou. Mas apesar dos ainda frequentes tropeços, estou de pé, olho para frente, tento deixar o rastro e não espia-lo. Quem estou me tornando?

Desprezo cada vez mais o ter e desejo cada vez mais ser. Me cego à aparência para enxergar o coração. Tento me desprender de todos os sentimentos que só machucam para me prender ao amor.

E me sinto cada vez menos daqui. Mas com cada vez mais o que aprender.

Procuro a paz que o amor incondicional trará. Se Deus existe, se estamos evoluindo para nos juntar a ele, eu acho que Deus é apenas o nome que deram à paz. Esse sentimento que procuramos e não encontramos comprando nem todas as coisas que existem nesse mundo. Que não vem nem quando o corpo está perfeito. E que não existe mesmo quando se tem casa, comida e família. A verdadeira paz vem da consciência que ama e perdoa, ao próximo mas primeiro a si mesmo.

É na tempestade que eu me descubro.

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