Um fuck pra sociedade!



Quando eu penso na minha vida, logo me pego vendo minhas fotos. Tenho vivido momentos de dúvida, momentos de medo, inseguranças que estou chutando embora. Ou tentando. Pelo menos.
Preciso ficar lembrando quem eu sou. Preciso me achar! Preciso voltar a ser eu!
Eu, Patrícia, lá no fundo, gosto de mudar de cidade. Aquela expectativa do que vou encontrar, quem vou conhecer, onde vou morar. Bom, e também não sei o que é morar em um lugar por mais de 4 anos e pouco, então... por que diabos tenho esse querer de ficar em um mesmo lugar? Será que não estou indo contra a natureza da minha existência? Claro que algum dia eu vou ter que morar em algum lugar... será?
Eu, Patrícia, amo viajar. E tenho que admitir que um dos meus medos é parar com isso. Isso eu não admito! Não, não, não! NÃO! Meus sorrisos mais bonitos estão nas fotos de viagens. Quantos lugares magníficos! Quantas histórias! Quanta gente legal, interessante, bonita! Sempre foi muito bom e não ter uma viagem em vista meio que me deprime. Viajar é o que mais me deixa feliz. Talvez até mais que pipoca.
Eu, Patrícia, sou cientista. E não adianta, é isso que quero ser. Pode trocar por pesquisadora também, para não assustar muito, afinal, só outro cientista entende a paixão pela Ciência. Ouvi esses dias "mas você gosta disso?". Me dá uma vontade de responder: "não, é que eu não tenho nada para fazer". É por amor! Não é pelo dinheiro (http://www.posgraduando.com/pos-graduacao/voce-quer-mesmo-ser-cientista). Talvez se eu soubesse de algumas coisas lá em 2000 eu tivesse tomado outro rumo, mas eis a questão. Não sei quanto às outras profissões, mas acho que é como para os músicos. Os músicos amam a música, eles são música, respiram música. Um cientista também se alimenta de Ciência. Ele é, ele não trabalha com. E dá vontade de chutar o balde e ir ganhar dinheiro, mas isso é como ter que desistir de quem eu sou. Então, tudo dá errado, mas respira fundo, pensa no que dá para fazer e bola para frente. Quem sabe você ainda se sustenta sendo cientista.
E o que tudo isso tem a ver com a crise? De repente me deu uma vontade de morar em um lugar, trabalhar, ter uma rotina. Deu medo da solidão. Pensei, pensei, pensei... e concluo: isso é coisa que a sociedade colocou na minha cabeça. Eu sempre fui muito feliz, muito obrigada. Sempre. Com todos os dias de agito, com todas as caminhadas sozinha, com todas as dificuldades. Nunca morri por estar sozinha e se for pensar, sempre tive companhia. Melhor companhias passageiras do que uma pessoa idiota eternamente do seu lado. Já conheci tanta gente interessante!
Agora algum tipo de circuito que me implantaram grita "você já tem quase 32 anos e ainda está solteira", "você precisa de um emprego ou vai ter que morar em um abrigo". Quem ligou essa merda, por favor, morra. Câmbio, desligo. To dando um fuck para o mundo e to indo pelo caminho sem pensar no que vai dar. Vou ter que mudar de cidade novamente? Vou ter que ir para o exterior? Vou morrer solteira? Vou morrer em um abrigo? Não importa. E não me perguntem. Estou vivendo. Estou conhecendo o mundo! E sim, eu sou assim. Essa eterna melancolia misturada com excitação. Eu quero conhecer o mundo! Eu sou um animal migratório! Eu sou diferente de você, que se contentou com sua vida de sofá e almoço de domingo. Não tente enfiar merda na minha cabeça, sociedade!

http://patriciabiene.blogspot.com.br/2011/02/animal-migratorio.html

Comentários

Dama de Cinzas disse…
Já eu preciso de pontos de referência e simplesmente não me vejo mudando de lugar, de casa, o tempo todo, nem mesmo que seja de vez em quando. Na verdade estou há muitos e muitos anos no mesmo lugar. No entanto a minha vida, essa muda demais... rsrs.

Beijocas
Ju Galak disse…
Pa, essas cobranças inconscientes que a sociedade nos (im)põe são uma merda. De vez em quando a vida nos prega umas peças. Como por exemplo se sentir bem como está, mas um dia acordar e as roupas não estão entrando mais. A questão é: perder peso para caber nas roupas antigas, ou comprar roupas novas? (acho que as vezes a alma se expande demais e não cabe nos invólucros que estamos habituados a confina-la). Ou como minha mãe diria: a dúvida faz parte da certeza. De qualquer forma continue essa pessoa totalmente excelente que tu é e mande esses velhos paradigmas passearem. Beijão.

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