Bonjour!


Pois é, mais uma vez o blog vira um diário de viagem. Dessa vez não tão fácil de atualizar. Peço desculpas pela ausência. Espero que logo dê tempo de dar uma passidinha pelos blogs queridos. 
Um pouco de cada vez sobre a viagem!
Destino: Avinhão (Avignon), França.
Objetivo: gravar a vibração da abelha Bombus terrestris enquanto poliniza tomate, berinjela e kiwi. Detalhe: menos de dois meses para terminar a tese!
03/05/2011
Por que diabos eu deixei tanta coisa para arrumar no dia de ir? Me bateu um medo de esquecer algo importante. Nunca fico com medo de viajar, mas dessa vez fiquei. Medo de implicarem com minha entrada no país por na carta estar escrito que eu sou estudante, embora eu esteja indo fazer pesquisa e pesquisador pode ficar até 90 dias sem visto. Turista também. Medo de implicarem com minha bagagem de mão porque o aparelho para gravar mais o computador estão no limite (ou mais?) de peso dessa bagagem. Medo de me perder, perder o trem (insano isso, já cheguei lá na puta que pariu da Suécia sozinha, não vou chegar em Avinhão?). Medo de perder as coisas, a bagagem, etc. Enfim, estava uma pilha de nervos. Sempre adoro viajar, mas dessa vez o sentimento “preferia não vir” estava forte. Pensei até que talvez o avião fosse cair (risos).
Fila para o check in. Despacho das bagagens. Tudo ok. Menos um medo.
Despedida dos pais. Buá!
Almoço: ô lanchinho ruim esse do Burguer SP ou algo assim, ainda mais sem vontade de comer.
Vamos para o embarque. Tudo tranqüilo no raio-X, foi até uma pessoa sorridente, um milagre. Claro que passaram o equipamento duas vezes, mas é normal.
Passadinha no duty free só para matar o tempo. Achei tão engraçado ter massa para pão de queijo para vender! (risos)
Portão 6. 10 minutos depois: “caros passageiros, informamos que o seu portão de embarque mudou para o de número 12”. Típico.
Embarque. Normal. Já começa o francês. O importante é que já aprendi que vinho tinto é vin rouge (risos). Li, li e li mais. Até ficar escuro. O jeito é assistir TV. A calhar assisti Sex and the city, o episódio que a Carrie vai para Paris. Dormir? Então, consegui só 3 horas antes do pouso, ou seja, nada, porque 1 hora antes foi servido o café da manhã. Pelo menos o vôo foi tranqüilo, não tinha ninguém mala do meu lado (o moço era até bonitinho) e passou rápido.
Charles-de-Gaulle, Paris. 04/05/2011. 8:15h. 6°C.
Hora de enfrentar o controle de passaportes. Uma mulher que me atendeu. Nem olhou na minha cara, pegou o passaporte, carimbou e devolveu. Só isso? Como assim? Então tá, né, vamos pegar a bagagem. É nessas horas que eu queria ser uma pessoa desprovida de vaidade e ter colocado na mala um sapato, 7 camisetas, um moletom e duas calças, e o básico do resto; e ter certeza de como estaria o clima.
Saio do terminal 2F e sigo as placas que indicam a estação do trem. Melhor ter certeza, perguntei. E nesse caminho a primeira pessoa vem me perguntar as coisas (incrível como eu tenho cara de centro de informação quando estou fora do Brasil). É esse o caminho mesmo. Vamos em frente.
Estação de trem (TGV). Primeiro a máquina para imprimir a passagem. Lutei um pouco, mas consegui. Um senhor me deu uma dica sobre o número da reserva (havia dois números). Preciso descobrir o que a máquina quis dizer com “stamp your ticket” e que ótimo! Não entendo porra nenhuma do quadro de anúncio. Vou perguntar. Primeiro funcionário: me explicou em inglês, teoricamente, e com cara de quem comeu e não gostou. Não entendi nada. Segundo funcionário: a mesma merda. Nessa eu já tinha andado duas vezes de ponta a ponta no terminal carregando minha “pequena” bagagem. Terceiro funcionário: Aleluia! Explicou o que eu queria saber e em inglês entendível. O legal é ter que esperar até 15 minutos antes do trem para descobrir de que lado ele vai sair quando não se tem certeza das coisas, está com malas e tem que descer escadas. Se errar e tiver que subir, ferrou! Fui comprar uma água, pedi em francês, chic! (risos) Sentei e li. Olhando toda hora o quadro de anúncios, vejo que o trem está 20 minutos atrasado, checo o dicionário para ter certeza que retard é atrasar mesmo. Vou para a plataforma e pergunto para um funcionário no caminho se é ali mesmo e ela (vaca) me fala que é do outro lado. Eu penso, olho, leio e decido confiar no que eu acho. Faço o treco com o ticket na máquina e outra pessoa vem me pedir informações, dessa vez em francês. Desço (amém pra escada rolante) e quem está na plataforma certa atendendo o povo? A vaca! Ela me disse o lado errado sabendo o certo. VACA! Aposto que nunca nem saiu da França. Ainda bem que eu confio na minha inteligência. E quem estava na plataforma? O senhor que me ajudou na máquina e sua esposa. E iam pegar o mesmo trem, no mesmo vagão, para o mesmo lugar que eu. Foi ótimo, porque os três entraram no vagão errado! (risos) E por o trem estar atrasado deu tempo de mudar. E eles me ajudaram com as malas.
Uma dica: se for viajar de trem manere na bagagem. Tem super pouco espaço no trem e é um saco de entrar.
Pelo menos as informações no trem eram dadas em inglês também. Na Suécia, se eu não tivesse encontrado uma brasileira que me ajudou, eu estaria perdida, porque tudo era só dito em sueco. Mal consegui observar a paisagem, cochilei várias vezes. Na volta eu aproveito.
Cheguei e encontrei o Dr. Bernard, o pesquisador que me convidou. Fomos para a estação de pesquisa (INRA), já passamos nas estufas e já conheci as pessoas. Ele organizou tudo, pensou em tudo, que beleza! Depois ele me deixou no shopping. Aproveitei e liguei para casa. Aí fui comprar comida. É sempre engraçado tentar entender o que se está comprando. Como é bom fotos ilustrativas na embalagem! Difícil escolher a marca, sempre compro algo intermediário, nem o mais barato, nem o mais caro.
Encontrei a parte dos queijos. Me decepcionei, o mesmo tamanho que aí no Brasil. Foi quando eu virei e tcharã! Uma parte do tamanho que temos para iogurte, só que só de queijo. Pirei! Delícia!
Chega de comprar. Hora do caixa. Tudo certo. A moça me perguntou algo e eu disse que não entendia. Ela sorriu, pegou o dinheiro e me deu o troco. Agradeci e fui esperar lá fora. Chega uma senhora e me pergunta algo sobre o charriot (carrinho de supermercado). Só entendi essa palavra. Suspeito que ela queria saber onde pegar a ficha para retirar o carrinho, eu sabia onde era, mas eu não sabia responder isso em francês. Sorriso amarelo.
Conheci meu quarto. Simples, mas bom. E melhor, barato. Amém para o chuveiro no quarto. Parece um aquário. Só a privada é de uso comum e fora do quarto, mas tudo bem, é limpo! A cozinha bem organizada para uma moradia de estudantes e limpa (milagre). Conheci três pessoas que moram aqui. Foram simpáticas. Banho e cama!
Fui super bem recebida. Pena que internet só no computador do laboratório, que tem um teclado maluco. Sem internet no quarto não dá para conversar por skype. Buá!

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