... onde me falta o ar...

Catedral de Estocolmo
Estou entre o passado e o presente
Em uma fresta escura onde me falta o ar
Quando olho para cima
Vejo lá longe um borrão
Um espelho embaçado
Ah, o futuro!
Se ao menos estivesse sentindo o presente
Mas me sinto entorpecida
Amortecida!
Como aquela sensação de acordar em dias chuvosos e não conseguir levantar
Ah, se ao menos dependesse só de mim!
Só de mim!
Pegava minha mochila e ia embora
Quero chorar, mas me falta lágrima
Quero gritar, mas me falta voz
Quero me mexer, mas me falta o chão
E você que me deixa tranquila está tão longe
Angústia, ansiedade, indecisão...
Esta fresta escura onde me falta o ar
Onde devo matar o dragão


"Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
...
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto..."
(Álvaro de Campos - Esta Velha)

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