Sem vocação para árvore - No vocation for tree


Sabe o que dói mais?

Se sentir boba.
Boba por ter acreditado em algumas coisas ao longo dessa vida.
Quando vem a aceitação de que os fatos são esses e ponto, fica esse gosto amargo na boca.
A frustação.
A cara de idiota.
E o pior. Eu pedi por tudo.

Anos atrás eu queria um amor tranquilo, que surgisse de uma amizade. Eu tive.
Passei tempos sem querer nem saber de amor. Eu tive.
Desejei uma paixão. Uma paixão como nunca tivesse sentido, sem explicação. Eu tive. E me lembro de ser bem clara de pedir para ser "por um tempo". E fiquei decepcionada quando foi só por um tempo mesmo.

Agora?
Como sempre, eu sei o que quero. Muitas vezes me pego afirmando que não sei, mas é só medo de assumir.
Porque tudo vem. Se você quer realmente. E embora eu queira algo com um prazo de validade não tão definido e próximo, eu sou uma pessoa que sempre viveu de mudança, na mudança.
Não sei quanto de permanente posso aguentar, nem quanto posso assumir.
Uma criança que cresceu mudando não pode ser um ser muito bom das idéias. Algum "problema" tem que ter.
O meu?
Provavelmente de se comprometer com a vida de outra pessoa.
Sempre tomei as decisões baseadas no que eu quero. Eu, somente. Não sei conversar sobre isso, não sei se quero ceder, não sei arrumar soluções alternativas para deixar todo mundo feliz. E tenho medo de fazer isso, porque envolve confiar em alguém.
Eu quero fazer X, eu vou e faço X. E se no meio do caminho eu mudar de idéia o problema é meu. Só meu.
Afinal, eu ia fazer sozinha mesmo. Lembro que ficava alguns meses sem fazer ballet porque não tinha amiga para ir comigo. Aprendi logo a perder a vergonha na cara e ir sozinha.
Não, não sou egoísta (pelo menos não muito). Já deixei de comer o que queria para agradar os outros, já fui em outro lugar e escutei outra música. Divido as coisas. Só que eu nem discuto, ou concordo e vou ou digo que não vou nem fudendo.
E quando tenho vontade de fazer algo, faço sozinha. Não tenho irmã gêmea siamesa. Não nasci grudada em ninguém. Se me der na telha de levantar agora e ir comer burritos, eu vou. E não vou chamar ninguém para ir comigo. Se te encontrar, talvez até convide. Senão, vou sozinha mesmo. Eu gosto da minha companhia.
No entanto, nas grandes decisões, só pensei em mim. Envolver outra pessoa parece tão... tão... complicado!
E mais... eu não falo a metade de quanto eu escrevo. Se fosse para escrever tudo, perfeito, mas na hora de falar não sai nada. Minha voz está nos meus dedos. 
Talvez seja mais fácil desejar mais uma paixão... pelo menos até eu saber onde vou ter que criar raízes.
Puta merda, não tenho vocação nenhuma para árvore! Estou mais para animal migratório. E você?



Do you know what hurts more?
To feel like a fool.
A fool for believing some things throughout this life.
When comes the acceptance of the facts are these and that’s it, this bitter taste on the month remains.
The frustration.
The dumb face.
And the worst. I asked for everything.

Years ago I wanted a calm love that aroused from a friendship. I had it.
I went through times when I didn’t even wanted to hear about love. I had it.
I wished for a passion. A passion like I’d never felt before, with no explanation. I had it. And I remember clearly asking for it to be for “a while”. And I was disappointed when it turned out to be really for a while.

Now?
As always, I know what I want. Many times I see myself swearing that I don’t, but it’s just fear to admit.
Because everything comes. If you really want to. And although I want something with not such a defined expiring date and close, I’m someone who was always moving, on the move.
I don’t know how much permanent I can handle, not how much I can take over.
A child growing on the move can’t be very good of the head. Some “problem” it might have.
Mine?
Probably of commitment with another person’s life.
I’ve always made on what I want. Me, only. I don’t know how to talk about it. I don’t know if I want to do it, I can’t make up alternative solutions to make everybody happy. And I’m afraid of doing it because for this you have to trust someone.
I want to do X, I do X. And if in the middle of the way I change my mind that’s my problem. Mine only.
After all, I was going to do it by myself. I remember I didn’t go to ballet classes because I had no friend to go with. Soon I learned to lose my shame and go alone.
I’m not selfish (at least not much). I’ve eaten something else to please others, I’ve gone to another place and heard another song. I share things. But I don’t argue, I agree and do it or I say I’m not fucking doing it.
And when I want to do something, I just do it by myself. I don’t have a Siamese twin sister. I wasn’t born glued to anyone. And usually I don’t call anyone to do things with me. Maybe I invite you, if I meet you on the way. Otherwise, I’ll go by myself. I like my own company.
However, for the big decisions, I’ve just thought about me. To deal with someone else seems so… so… complicated!
And more… I don’t speak half of what I write. If I had to write everything, perfect, but when I have to talk about my feelings nothing comes out of my mouth. My voice is on my fingers.
Maybe it’s easier to wish for another passion… at least until I know where I’ll have to create roots.
Holy shit, I don’t have vocation for being a tree! I’m more like a migratory animal. And you?

Comentários

Ivana disse…
Adorei, como sempre!
Aline Aleixo disse…
Me vi um pouco nesse texto... Vamos sair pra beber uma qq dia e filosofar!! Bjss
LetBee disse…
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante hahahahahaha... beijinho...
Valéria Sorohan disse…
Colocar-se entre parênteses. Em compasso de espera? Não, sou como você! (Ah, se eu tiro a vírgula...rs)

BeijooO*
Izabela e Julia disse…
eu sou uma arvore :) kkkk
adorei de verdade seu texto.

bjs
Dan disse…
eu acho q tenho um pouco de árvore e um pouco de animal migratório!
equilibrado será?
duvido!
rs
bjo moça!

e obrigado pelas visitas!
:)
Sabe que existe um motivo bem diminuto que me poderia me prender feito árvore?
Me disse…
Ah... eu sou meio árvore.rs Eu crio raízes, mas as vezes isso pode ser pior, sabe? pq pelo menos quando não se cria raízes, quando você toma suas decisões e faz mesmo o que VOCÊ quer, acredito que dê pra aguentar as consequências, porque provavelmente você pensou nelas. Agora quando a gente vira árvore as coisas parecem mais complicadas porque você pensa demais racionaliza demais e na hora que tem que tomar decisões, acaba não pensando em vc mesmo, só nos outros, no que eles vão pensar, em como não magoá-los, enfim... Sei lá. Adorei teu blog, vc tem o dom da escrita!!! To te seguindo!!!
Cadinho RoCo disse…
Esta característica de obter tudo que almeja é sinal de força, até porque a vida está sempre num processo sucessório, dinâmico e ágil.
Cadinho RoCo

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